Tecnologias mais Interessantes de 2016

Um apanhado das tecnologias mais interessantes de 2016.

Publicado em 27/12/2016

Estou sempre vasculhando notícias sobre tecnologia e lendo tudo o que posso sobre o assunto. Resolvi fazer um sumário sobre as mais empolgantes de 2016. São todas tecnologias que tiveram avanços significativos, e só devem deslanchar a partir daí! Eu falo um pouquinho sobre Inteligência Artificial, Realidade Virtual, Blockchain e Modificação Genética. Boa leitura!

AI: Inteligência Artificial

As máquinas estão ficando cada vez mais inteligentes. Você se sente preparado para lidar com isso?

Parece que vamos ter um salto significativo de tecnologia nessa área, que é a que mais me empolga e assusta ao mesmo tempo.

As grandes empresas de tecnologia estão investindo MUITO pesado em inteligência artificial (Google, Twitter, Intel, Apple, Microsoft, Facebook), como você pode ver nesse gráfico de tempo x aquisições de empresas/startups de AI.

E*, em minha opinião*, a Startup mais promissora da AI é a OpenAi — ela, que foi fundada pelo Elon Musk e Sam Altman, do Ycombinator. O objetivo principal dela é democratizar a inteligência artificial e desenvolver ela de maneira segura, para que seus benefícios sejam distribuídos em massa.

É quase um gold rush tecnológico — e talvez o ano de 2017 e 2018 venha a ser conhecido como o grande salto de tecnologia nessa área, que sem dúvida irá gerar uma nova onda de destruição criativa de Shumpeter.

O Deep Learning especialmente tem mostrado resultados fantásticos, e eu estou curioso em ver o que acontecerá com Self Driving Cars: vejam o caso do George Hotz, que fez um carro desses em sua garagem, e liberou o código para quem quiser fazer também.

Mas as possibilidades são quase infinitas; destaco uma que chamou atenção aqui, utilizar um Neural Network para auxiliar na identificação de câncer utilizando dados demográficos.

Mas a aplicação de AI que mais teve avanços no ano, que me deixa impressionado, e ao mesmo tempo assustado é o Google Brain.

Esse gato ai na foto é o primeiro sucesso definitivo dessa iniciativa, que aconteceu em 2012: a máquina conseguiu, ao assistir milhares videos do Youtube, identificar um gato, sem que nós para ela como era um gato.

Ela simplesmente foi procurando o que tinha em comum em todos aqueles vídeos de gato, até que descobriu. Essa foto é a representação visual da face de um gato, segundo milhões de vídeos do Youtube. E ele acertou 80% das vezes ao identificar um vídeo com gatos nele.

Grande coisa, né? Pode parecer simples — mas foi um enorme passo para a AI;

Hoje, um exemplo de utilização do mesmo tipo de tecnologia para algo útil é o Google Tradutor. Ele está funcionando muito bem, graças à inteligencia artificial e a um sistema neural que foi implementado há pouco tempo, e **mostrou mais melhorias em qualidade de tradução em uma única noite do que na existência inteira do Google Tradutor. **(Imagine o que isso representa. De 2007 até hoje, muita gente trabalhou duro para melhorar a qualidade da tradução. Em uma única noite, um programa de computador conseguiu fazer mais.)

O mais interessante é que quem trabalha na área entende que a tradução pode ser um primeiro passo para que a AI consiga de fato entender a linguagem e reagir à ela.

Quando (se) isso acontecer, a uma das aplicações que mais irão se beneficiar serão os Chatbots, que cada dia mais vão se melhorar passar a ser mais úteis. No futuro (não tão longínquo), eles serão capazes de ter conversas basicamente humanas, e causar todo o tipo de sentimento que temos ao conversar com outra pessoa.

Alie isso a VR: Seria o filme Her apenas uma premonição?

Inclusive, o Messenger do Facebook está sendo o maior explorador de Chatbots, e creio que o primeiro breakthrough vai vir daí.

(Se quiser brincar com os bots que existem hoje no Messenger, clique aqui.)

Além disso, Chatbots serão extremamente úteis para empresas que necessitem de atendimento de qualquer tipo, e logo serão baratos e fáceis de usar e implementar — não espere muito mais tarde que esse ano que vem para que comecem a se massificar.

Mas em AI, aquilo que me parece ser mais interessante em 2017: os Assistentes Pessoais — Siri, Cortana, Alexa, e Google Assistant.

Especialmente em relação ao Google Assistant, esperem cada vez mais previsões e personalizações vindas baseadas em seu histórico de pesquisa.

Se você está indo para Paris, por exemplo, e pesquisou por passagens, comprou e recebeu um e-mail de confirmação através do gmail.

O Google sabe exatamente quando você vai viajar, e te oferece as melhores opções de alimentação na região, entretenimento, ingressos e etc, baseado em seus gostos, os restaurantes que você visitou anteriormente, lugares que foi e afins.

Nem uma novidade, certo?

Isso acontece hoje, e vai se intensificar muito, em diversas outras possibilidades.

Hoje, a máquina aprende de forma supervisionada, com ajuda de linguistas e programadores que catalogam informação e a deixam processar.

O algoritmo Taba funciona assim, e é capaz de identificar quando alguém tem intenção de viajar baseado em quê pesquisas foram feitas por essa pessoa. Inclusive, ele tem uma taxa de aprendizado em até 10 minutos — ou seja, aprende quase sem delay.

Basicamente, em um futuro longínquo, não vamos precisar pesquisar nada no Google, pois ele vai saber o que iremos perguntar e nos responder antes dessa dúvida surgir, ou enquanto ela surge.

Mas o objetivo é que a inteligência seja melhorada sem programação específica — a máquina aprende sozinha, de forma não supervisionada, através de observar o comportamento de milhares de pessoas repetidas vezes.

Isso é feito através de deep learning e vai ficar cada vez mais intenso.

Uma das principais tecnologias por trás disso são os Artificial Neural Networks, que tentam imitar um cérebro humano na arquitetura de aprendizagem da máquina. E o mais legal é que realmente estão tentando replicar o funcionamento do cérebro: este paper demonstra como ao imitar o sistema de neurogênese do hipocampo em adultos, se pode enfrentar problemas de deep neural networks.

VR, AR, e MR.

Primeiro: você sabe a diferença entre realidade virtual, realidade aumentada, e realidade mista?

É bom saber, pois essas coisas vão começar a fazer parte de nossa vida de uma maneira cada vez mais recorrente. Basicamente:

AR — Augmented Reality

A **Realidade Aumentada **utiliza dos recursos visuais já presentes e adiciona objetos virtuais, quase como widgets na sua visão. Um exemplo é o falecido Google Glass.

As aplicações mais próximas são sistemas de GPS que nos mostram visualmente o caminho por onde seguir. Ou, por exemplo, um teclado projetado em sua mão.

VR — Virtual Reality

VR, ou Realidade Virtual, é um sistema de multimídia imersivo, que faz com que você se sinta em um ambiente virtual, programado ou filmado em 360 graus. Os exemplos são oOculus Rift,Google Cardboard(esse dá pra fazer em casa),HTC Vive(que custa singelos oito mil reais.)

Agora, imagine só as experiências multimídia do futuro: imagine videogames, filmes com essa tecnologia. Imagina a festa que a indústria pornô vai fazer nessa coisa. Voyeurismo puro.

MR — Mixed Reality

E finalmente, o MR — realidade mista.

Essa tecnologia nos permite ver o mundo real ao mesmo tempo em que se vê objetos artificiais, e permite também interações com esses objetos virtuais.

As aplicações de Mixed Reality são vastas e muito interessantes. Pense, por exemplo, no uso dele para cirurgiões: poderiam consultar ummodelo-holograma do órgão que estão operando em tempo real como referência.

As iniciativas mais interessantes em MR são HoloLens e o Magic Leap.

Anote esse nome: Magic Leap.

É uma das empresas mais interessantes e secretas do mundo. Não há muita informação sobre eles, mas sabemos que foi a empresa com a maior c-round de financiamento já feita na história, e o Google colocou muito dinheiro lá.

Imagine: você entra em um escritório qualquer em Fort Lauderdale na Flórida, muito distante da Hype do vale do silício, na sede da Magic Leap, e coloca um óculos. É aparentemente apenas um óculos comum e transparente, que te permite ver tudo quase perfeitamente (é um pouco mais opaco que o normal, entretanto.)

Assim que você coloca ele, seu campo de visão é transformado: tem uma nave espacial na sua frente, mais ou menos do tamanho de uma régua — 30 centímetros.

Ela é perfeitamente real, tem detalhes tão nítidos que você custa a acreditar que ela não está ali. Mas não está.

Pouco tempo depois, você vê robôs, em tamanho humano, andando pelo escritório, e pode atirar neles com uma espécie de Nerf Gun de realidade virtual.

Parece viagem? Não é: é exatamente isso que nos promete a Magic Leap, em detalhes muito, mas muito impressionantes, segundo aqueles que já experimentaram a tecnologia.

Sabe-se lá como vamos diferenciar a **realidade **da **realidade virtual **(imagine, vai ter gente presa na matrix), mas ela definitivamente vai ser uma coisa grande nos próximos anos!

Blockchain

O Bitcoin em si já é fantástico.

Mas o blockchain vai revolucionar indústrias inteiras.

O blockchain é basicamente um livro virtual que registra publicamente toda transação de bitcoin — e a tecnologia pode ser utilizada para registrar qualquer tipo de dado.

Já vemos as primeiras aplicações de blockchain se desenrolar esse ano com Ethereum e The DAO (que foi o maior crowdfunding feito na história), que infelizmente foram (têm sido) fracassadas.

Enfim, as possibilidades são incontáveis: o sistema bancário mundial vai ser reformado baseado em esse protocolo (até o fim de 2017, 15% dos maiores bancos já o vão usar, segundo a IBM),a rede de energia vai ser profundamente afetada por meio de geradores descentralizados ligados em rede e se alimentando conforme necessidade (Power Ledger), o primeiro Hipercomputador descentralizado vai ser criado (Golem, Zennet), e eventualmente vai ter capacidade de processamento maior que qualquer serviço centralizado.

Além disso, o próprio Ethereum com seus Smart Contracts, e qualquer tecnologia similar poderia significar um significativo aumento de transparência em contas públicas, registros de qualquer tipo,sistemas de registro de imóveis (está sendo implementado na Georgia), e sistemas de votação (não haverão mais dúvidas sobre urnas eletrônicas uma vez que forem elas operadas por blockchain).

É uma questão de tempo para que aconteça o boom do Blockchain: é imprevisível, causa um impacto enorme e, depois de ter ocorrido, surgem frequentemente diversas explicações que o tentam afirmar como menos aleatório e mais previsível do que na realidade acontece. Ou um evento Cisne Negro, como diria Nassim Nicholas Taleb.

Para quem gosta de gráficos, é um sistema Extremistan — não vai ser possível saber exatamente quem vai levar a boa com Blockchain (qual empresa, em que momento), mas quando ocorrer, vai ser em explosão vertiginosa, enquanto todas as outras ficam dentro da regra — os extremos importam.

Moedas criptográficas são só o começo ;)

Genética Humana

Particularmente, não gosto muito deste, porém não há como negar que será uma parte importante no futuro. Não fiz a análise ética e moral, mas fico curioso sobre o que vocês têm a dizer sobre isso.

Basicamente: o CRISPR é uma tecnologia revolucionária de edição de genoma, que permite manipular com precisão extrema.

Até hoje, ele vinha sendo usado para editar genes em camundongos e pequenos animais, em experimentos controlados.

Mas agora, os chineses utilizaram a técnica pela primeira vez em um homem, com o objetivo de desabilitar uma proteína que atua como um freio no sistema imunológico do paciente (PD-1), com o objetivo de combater células cancerígenas.

Fizeram isso com uma célula, a multiplicaram, e inseriram uma cultura de células melhoradas novamente no homem.

Ainda não sabemos os resultados: Porém eles não são tão importantes quanto às implicações disso.

Basicamente: está aberta a temporada de navegação nas águas da modificação genética humana.

A maior possibilidade é que será um Sputnik 2.0 entre os EUA e a China, outro Gold Rush , mas em modificação genética.

Os dois países competirão por resultados cada vez mais enfaticamente, e quem sabe até onde isso nos levará!

(Dizem os mais otimistas que até pode significar o fim do envelhecimento.)

Minhas ressalvas pessoais: Esse é um clássico sistema de alta imprevisibilidade, mas com possibilidade de ambos de ganhos massivos, E prejuízos massivos.

Colocando em exemplos:

Exemplo de Ganhos Massivos:

Começam as experimentações com o CRISPR, que mostram alguns resultados positivos mas nada definitivo. Eventualmente algum pesquisador ativa um gene X e consegue curar câncer, AIDS, e etc.

Exemplo de Prejuízos Massivos:

Começam as experimentações com o CRISPR, que mostram alguns resultados positivos mas nada definitivo.

Eventualmente algum pesquisador começa a utilizar a tecnologia em embriões humanos, desativando genes ligados à conhecidas doenças, e melhorando a “saúde genética” dos embriões de maneira geral.

Supondo que estes viessem a nascer, e conforme se desenvolverem como pessoas, realmente não são afetados pelas doenças que viriam a ter.

Essas pessoas têm filhos, e novas gerações modificadas geneticamente vêm a nascer.

Não vemos a*curto prazo *nem um tipo de downside: porém não podemos concluir que não surgirão problemas decorrentes dessas modificações no futuro.

Quem sabe um desses genes ativa algum outro tipo de anomalia, criando uma doença bem mais destrutiva e deformadora posteriormente?

Quantas pessoas terão sidas afetadas?

Quantas terão o potencial de desenvolver a doença? Não se pode dizer.

Isso é um caso de Iantrogenia não linear; se vêem benefícios a curto prazo, porém com volatilidade (tempo), a probabilidade de malefício aumenta subitamente.

Tendemos a ignorar os efeitos ocultos das coisas, ou em longo prazo, apenas nos atentando para o curto prazo, ou nos ganhos imediatos.

Em gráficos: